Pretérito mais que imperfeito!


Esse amor não era poesia
Que te enfeitava
Que te arrumava
Que te envaidecia


Esse amor não era passageiro
Viajante, clandestino, nômade
Que te bebia, te lambuzava
E logo mais te abandonava


Esse amor nunca foi teu
Nunca foi meu
Nunca foi nosso
Nunca foi de ninguém

Esse amor não era pretensioso
Ele veio em sua forma mais simples
Era pra ser ‘um + um’
Mas tudo que existiu, fora um sem ninguém

Esse amor nunca foi em vão
Esse amor se desfez em meio a solidão
Tornou-se apenas mais um coração destruído pelo chão
Ele não é nada mais, além de uma prisão!



[ Por Lorena Pereira ]
Rosa!


Se eu pudesse camuflar minhas fraquezas

Sabe o que eu faria?

Pintaria uma rosa bem colorida

E com ela fugiria



Em cada tom de cor, lhe emprestaria pequenas verdades

Nas quais a gente se agarraria

Pra poder libertar da nossa mente

Enormes mentiras que vivemos juntos um dia




Em nome de todo sentimento bom que existir

Vou pedir para o coração deixar-te partir

E rezar pra que encontre um lindo colibri


Que ele possa te completar, como jamais consegui

E te faça a rosa mais linda de todo jardim

E que eu possa compreender que tudo pra nós, já tivera seu: fim!



[ Por Lorena Pereira ]

Soneto do nós sem mim! Parte III de III


III



Um amanhã cintilante começa a ser escrito

Emoções transparentes são o que respiro

É o que busco no outro

Eis o mínimo e o máximo que o outro pode encontrar em mim


Meus olhos buscam um horizonte onde seja possível sorrir

Onde não haja tanto pudor em ser aquilo que se é

Onde sejam perdoados pequenos vícios

E onde sejam exaltadas as virtudes


Sei que a estrada está apenas começando

Mas sei também que preciso antes de qualquer coisa, crer em mim

Acreditar naquilo que quero e também no que deixei de querer


Eu posso ouvir a bonança a caminho

Dizendo que no meu mundo, felizmente

Você já não cabe mais!



[ Por Lorena Pereira ]

Soneto do nós sem mim! Parte II de III


II



Agora meus amores são efêmeros

Transcendem em frações de centésimos e se perdem noutras de segundos

Sujeito a dias de brisa serena

Sem abandonar sua inquietude em dias tempestuosos


Tuas palavras me soam vulgares, não mais me enfeitiçam

Tudo relacionado direta ou indiretamente a você tornou-se previsível

Para tudo há uma predisposição...

...como a de não mais querer te dar o meu amor


O que almejo pra mim agora tem dimensões do tamanho do infinito

Aprendi que não se deve implorar por migalhas de sentimentos

Que muitas vezes não valem à pena


Hoje sou grata pelas cicatrizes que ficaram

Feridas abertas e cortes expostos

Sou eternamente agradecida pela lição aprendida



[ Por Lorena Pereira ]




Soneto do nós sem mim! - Parte I de III


I


Eu olhava para todas as coisas ao meu redor e sentia uma paz incomum

Sentia o cheiro do dia, das cores, e me alegrava em todas as estações

Pois pouco importava se lá fora fazia: frio ou calor, sol ou chuva

Internamente era tudo muito terno.


Em meu coração eu reguei dia após dia o nosso amor

Você estava seguro lá dentro

Entrava ano e saia ano

Durante muito tempo nosso amor foi uma constante.


Até que me vi inundada em meio a mágoas, e afogando o meu amor junto

Todo o céu havia caído sobre minha cabeça

Tudo que eu tinha como ‘certo’, vi me escapar por entre os dedos.


Naquele dia você havia ido embora, sem se preocupar em dizer ‘adeus’.

Naquele dia você havia me transformado em uma tatuagem preta

Naquele dia você sentenciou todo e qualquer hoje!



[ Por Lorena Pereira ]

Reflexão!


Sinto-me de certa forma sufocado com a presença constante da fraqueza que há dentro de mim.

Ela me domina de todas as maneiras e em todos os lugares onde eu possa estar.
Ela é onipresente, e ao mesmo tempo égide.
Fazendo com que a minha pessoa diante do seu imenso poder de destruição interior,
torne-me um ser frívolo.

Sinto-me também dominado por um efusivo sentimento de poder, sede e vontade de destruição. Destruição essa, não se sabe do quê e muito menos de quem.
Pode ser que seja uma vontade imensa de destruir à mim mesmo e tentar refazer ma vida errante,
vista dessa forma por mim até então.

Uma vida que não vê uma nova dimensão em nada
Uma vida que tem sede de nada
Uma vida que não consegue ambicionar novos horizontes
Uma vida que no decorrer do tempo se mostrou prisioneira do destino e temerosa à visão do novo.

Paremos então pra pensar agora no nexo que pode haver entre esses dois sentimentos.

Fraqueza de certa forma gera raiva
A raiva por sua vez produz a sede de vingança que é irmã da destruição.
Agora perguntemos:

- Destruir ou se vingar de quem?!

Do dom da vida que lhe foi dado pelo grandioso Pai da Misericórdia, e concebida pelo poder divino das forças maiores e espirituais das quais você sempre poderá contar para obter a purificação da sua alma?!
Ou será uma incontrolável vontade de destruir o dono de uma força negativa e prejudicial, que fez de você um habitat seguro para exercer sua malevolência quando você mesmo havia se mostrado aberto para receber em seu corpo espíritos negregados?!

Faça você mesmo o seu próprio julgamento
Reflita sobre o que lhe foi mostrado
Não se guie pela cabeça de terceiros
E lembre-se de que:
É a sua cabeça que está refletindo nas lâminas da guilhotina!


[ Por Lorena Pereira ]
Faces do pecado!


O mundo no qual vivemos hoje está dominado pelas várias faces do pecado.

Pecado não se diz só daqueles que o Senhor nos deixou por escrito, mas também daquelas visões erradas ou infaustas que fazemos das mais bobas situações.


O pecado nos deixa desnorteados totalmente insanos diante da tua bela face.

No começo o pecado é bom, nos faz leve

Deixa-nos inocentes como um bebê

Durante sua execução pode nos levar ao maior grau de satisfação

E por fim nos rouba a consciência levando-nos a loucura.


Pecado, pecador, doce ato de pecar, já que és tão bom

Diga-me:


- Por que sempre nos castiga ao final de tudo?

- Por que nos atraí de tal forma que mal possamos reagir e ao acerto de contas final deixa-nos trêmulos?

- Se o ato de pecar fosse proibido e extinto do mundo moderno, como atingiríamos o prazer que ele nos dá?

- Será que existe o ato de pecar, sem que este seja tratado com tanto pesar?


Todos os meros mortais pecam

Sendo assim, vivemos no enorme conto da criação:


Adão e Eva!



[ Por Lorena Pereira ]